Famílias e Pessoas Invisíveis

hpinvisA família é uma instituição criada por Deus e por essa razão, as igrejas comprometidas com o Evangelho, empenham-se em solidificar e fortalecer os laços familiares. Em busca desse propósito, oferecerem estudos bíblicos, aconselhamento, congressos e conferências, grupos de casais e programas que visem a  edificação de um lar genuinamente cristão. Apesar de todo esse empenho, infelizmente, um grupo familiar, acaba sendo negligenciado. É o grupo composto pelos viúvos, pais solteiros, pais separados e divorciados, casais sem filhos, órfãos e filhos de pais separados. As pessoas pertencentes a este grupo, sentem-se muitas vezes invisíveis. Sem dúvida alguma, as igrejas não agem assim propositadamente. É provável que a maioria dos seus membros não esteja preparada para lidar com a dor daqueles que, por uma razão ou outra, não possuem um lar convencional. O que fazer? Como aliviar a dor e o sentimento destes irmãos e irmãs que são igualmente preciosos para Deus? A resposta, encontra-se em Deus, que diferente de nós, é perfeito. Nele, todos os que se sentem invisíveis encontrarão amor, compreensão e compaixão que necessitam. Nele, a igreja de Cristo encontrará sabedoria e sensibilidade para com o próximo.
A Palavra de Deus nos conta a história de uma personagem que possuía uma situação familiar atípica. Sua história está registrada em Gn 16:1-6. Hagar tinha todos os motivos do mundo para se sentir invisível. O texto bíblico nos apresenta esta mulher, seu gênero é muito relevante, uma vez que as mulheres ocupavam um lugar secundário dentro de um mundo patriarcal. A Bíblia, também nos informa que ela era egípcia, ou seja, uma estrangeira que vivia em meio a uma terra e povo estranhos. Além de ser uma mulher egípcia, Hagar era escrava e portanto não conhecia a liberdade, sendo uma refém da vontade de seus senhores. E é justamente por causa de sua condição social que Hagar é escolhida para dar a luz ao herdeiro de  Abrão e Sarai. Por mais que isso pareça estranho, essa prática era muito comum dentro da cultura semítica antiga. Uma mulher que não poderia gerar herdeiros, poderia fazê-lo através de uma de suas servas. Hagar, agora, era uma mãe sem marido e sem direito legal sobre a criança que carregava em seu ventre. E isso não é tudo, sua situação complica-se ainda mais quando ela resolve fugir de sua senhora. Hagar era uma mulher egípcia, escrava, mãe solteira, fugitiva, sem casa, sem trabalho e sem sustento. Hagar, de fato,  preenchia todos os requisitos de invisibilidade, mesmo assim, ela não fora desapercebida por Deus. Em Gênesis 16:7-15, aprendemos que o Senhor vê aquela que é invisível. Deus vai ao encontro de Hagar no deserto de Sur. O “Anjo do Senhor” é uma teofania – uma manifestação do próprio Deus. O Senhor em pessoa procura Hagar, conversa com ela e lhe faz uma promessa maravilhosa. Sua dor e sofrimento não foram ignorados pelo Deus que tudo vê. O deserto de Sur não foi o capítulo final de sua história, antes foi uma pausa para um novo recomeço. O filho de Hagar não seria mais um bastardo qualquer, pelo contrário, seu filho seria um homem proeminente e poderoso: pai da grande nação árabe. Como resultado desse encontro, Hagar, reconheceu que o Senhor é o “Deus que me vê”!
O Deus que viu uma mulher invisível no passado é o mesmo Deus que vê os invisíveis de hoje. O pai e a mãe que não tem filhos, o pai e a mãe que criam seus filhos sozinhos, os ex-maridos e ex-esposas, os viúvos e viúvas, os órfãos e filhos de pais que já morreram ou estão separados; todos sem exceção, são conhecidos e notados pelo Senhor. O Deus que vê é também o Deus que se compadece e cuida dos seus. O Salmo 68:5-6 testemunha que o Senhor é um pai para os órfãos, é o defensor das viúvas e o provedor de um lar para os solitários. Deus tinha um plano para Hagar e Ismael, e tem um plano maravilhoso para cada um de seus filhos. Por mais que o tempo presente seja marcado pela dor e solidão, Deus levará a cabo o seu bom propósito e por fim, enxugará toda lágrima de nosso olhar. O Senhor é o Deus que te vê! Portanto, sujeite-se a sua vontade, suporte com paciência as tribulações e confie no Deus que transforma todo pranto em alegria!
Que Deus nos abençoe,

Alexandre

Pastor

IECI

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